Bate-volta a Mont-Tremblant: raquetes de neve no parque e trilha até o topo da montanha

elsewheremostly · Laurentides, Quebec · bate-volta em 14 de dezembro de 2025, 31 de janeiro e 17 de julho de 2026

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Resumo Um bate-volta a Mont-Tremblant saindo de Montreal pode significar três lugares: a cidade, o parque nacional (floresta, lagos e trilhas para raquetes de neve) e a Vila de Pedestres do resort, sem carros (gôndola, pistas de esqui e lojinhas coloridas como balas). Fomos duas vezes ao parque no inverno e uma vez à vila no verão, sempre ida e volta no mesmo dia.

  • Nossos três dias
    1. 14 dez.Parque nacionalbrincar na neve
    2. 31 jan.Parque nacionalraquetes de neve
    3. 17 jul.Vila e montanhatrilha
  • EntradaO parque nacional cobra entrada (10,30 CAD por dia para adultos, cerca de R$ 38; gratuita até 17 anos). Entramos com o cartão anual dos parques nacionais de Quebec.A Vila de Pedestres, as trilhas e a gôndola gratuita Cabriolet, entre o estacionamento de baixo e a vila, não custam nada. A Gôndola Panorâmica até o topo é paga.
  • ReservaNenhuma para o parque.A cama elástica bungee da vila funciona com lista de espera on-line no mesmo dia.
  • Clima14 dez.: sol, de -17 a -10 °C, 8 horas e 38 minutos de luz do dia31 jan.: nublado, de -16 a -13 °C, 9 horas e 39 minutos de luz do dia17 jul.: sol, máxima perto de 25 °C à tarde
  • QuemNo inverno, nós três: minha esposa, nosso filho, que está no ensino fundamental, e euEm julho, com meus pais, que vieram da Coreia, éramos cinco
  • OndeParque nacional, centro de recepção do setor Pimbina: 2954 Route 125 Nord, Saint-Donat, QCVila de Pedestres de Tremblant (village piétonnier de Tremblant): 1000 Chemin des Voyageurs, Mont-Tremblant, QCCerca de duas horas de carro ao norte do centro de Montreal (mapa)
  • Do BrasilVoo direto de São Paulo a Montreal, mais cerca de duas horas de carro (voo, visto, fuso e carro)
Bate-volta a Mont-Tremblant saindo de Montreal: uma cadeira vermelha gigante na encosta acima da Vila de Pedestres e do lago Tremblant
No meio da subida do Mont Tremblant, em julho: a cadeira vermelha gigante, a Vila de Pedestres e o lago Tremblant lá embaixo.

No nosso primeiro inverno em Montreal, fui atrás de lugares ao alcance da cidade, e “Mont-Tremblant” aparecia sempre ao lado de fotos de lagos, floresta e uma vila colorida como uma caixa de balas. Um bate-volta a Mont-Tremblant parecia o plano certo.

Em casa, dizíamos sempre só “Mont-Tremblant”. O lugar aonde fomos duas vezes no inverno foi o Parque Nacional do Mont-Tremblant. A vila colorida das fotos só encontramos na terceira ida, em julho, com meus pais. O mesmo nome, dois lugares diferentes.

Bate-volta a Mont-Tremblant: são três lugares

Pesquise “Mont-Tremblant” e os resultados misturam três lugares. Decida aonde vai antes de sair e você não fica rodando à toa.

Mont-Tremblant: qual deles?

A cidade de Mont-TremblantOnde as pessoas moram

CentroO antigo Saint-Jovite: mercados e restaurantes
Vila de Pedestres de Tremblant (Tremblant)As pistas de esqui, a gôndola e as trilhas do Mont Tremblant, mais a vila colorida e sem carros aos pés dele (village piétonnier)Onde fomos no verão

Parque Nacional do Mont-TremblantParc national du Mont-Tremblant · floresta e lagos, trilhas, raquetes de neve, canoagem

Setor Diable (secteur de la Diable)Lac-Supérieur · centro de recepção principal
Setor Pimbina (secteur de la Pimbina)Saint-DonatOnde fomos duas vezes no inverno
Setor Assomption (secteur de L’Assomption)Saint-Côme
Setor Cachée (secteur de la Cachée)La Macaza · sem funcionamento em 2026
  • O parque nacional é um parque natural administrado pela Sépaq, a agência de parques da província de Quebec. É grande o bastante para ter quatro entradas, uma por setor. Nas duas vezes entramos pelo setor Pimbina, do lado de Saint-Donat. Boa parte do próprio Mont Tremblant fica em terras do parque.
  • A Vila de Pedestres Aos pés da estação de esqui de Tremblant há uma vila sem carros. O blog do próprio resort a chama de Vila de Pedestres (village piétonnier) (blog de Tremblant), e os carros ficam em estacionamentos fora dela. O resort é simplesmente “Tremblant”, e o noticiário local diz “à Tremblant”. Neste artigo chamo a vila de Vila de Pedestres de Tremblant para os três lugares não se confundirem.

Para chegar à vila, busque no Google Maps por “Tremblant” ou pelo endereço 1000 Chemin des Voyageurs, e não por “Mont-Tremblant”, que pode levar você ao parque ou à cidade. A vila e o centro de recepção do Pimbina ficam mais longe um do outro do que você imagina, cerca de 55 km.

Dezembro: nossa primeira vez no parque nacional

Era um domingo de meados de dezembro. A temporada das cores do outono já tinha passado, e os esportes de inverno ainda não tinham começado para valer, então era uma época meio de entressafra. Em compensação, tudo por onde passamos estava tranquilo.

A estrada nevada rumo ao norte

Quanto mais subíamos pela rodovia 15, mais brancos ficavam os morros e as árvores. A neve era bem mais profunda do que em Montreal.

Diziam que havia uma vila bonita

Tínhamos ouvido falar de uma vila bonita em Mont-Tremblant, então, antes do parque, paramos em Lac-Supérieur, ali perto. Era uma vila tranquila à beira de um lago, onde as pessoas moram. Bonita à sua maneira, mas não a das fotos. No começo, achei que fosse por causa do inverno, com tudo coberto de neve.

O lago parecia congelado por inteiro, mas a placa na margem ainda avisava para não pisar no gelo.

Um banco coberto de neve na margem do lago Supérieur (Lac Supérieur), com o lago congelado ao fundo.
Um banco coberto de neve na margem do lago Supérieur (Lac Supérieur), com o lago congelado ao fundo.

Almoçamos no Bistro Le Loch, à beira do lago: um hambúrguer com batata frita e salada, uma pizza e um prato infantil (tiras de frango empanado com batata frita), 72,79 CAD para nós três, com impostos e gorjeta. Pela janela, a paisagem coberta de neve era serena e linda; lá dentro, a lareira estava acesa.

O lago congelado e a montanha vistos pela janela
O lago congelado e a montanha vistos pela janela
A placa “LAKE HOUSE” ao lado da lareira
A placa “LAKE HOUSE” ao lado da lareira

Trezentos ou quatrocentos metros no setor Pimbina

O setor Pimbina é a entrada sudeste do parque, do lado de Saint-Donat. Da beira do lago foram mais 40 minutos, e estacionamos pouco antes das 15h.

A placa “Parc national du Mont-Tremblant” na entrada do Pimbina
A placa “Parc national du Mont-Tremblant” na entrada do Pimbina

Não chegamos longe no parque. Nosso filho ficou rolando na neve e abrindo trilhas com os pés, então andamos uns 300 a 400 metros no total.

Um campo de neve diante de uma cabana verde
Um campo de neve diante de uma cabana verde
Uma trilha na floresta com neve até a coxa
Uma trilha na floresta com neve até a coxa

Mesmo assim, a viagem e todo aquele branco bastaram para dar a sensação de termos saído da cidade. Fazia frio, mas todos nos sentimos à vontade.

Clima em Mont-Tremblant em 14 de dezembro

  • Temperatura -17 a -10 °C: -17 °C às 8h, -10 °C às 14h, a hora mais quente
  • Sensação térmica -16 a -14 °C ao meio-dia, mesmo com vento fraco
  • Luz do dia 7h33 às 16h11 (8 horas e 38 minutos)

Naquele dia também aprendemos uma coisa. Mesmo no inverno o parque tem muitas rotas de esqui cross-country e de raquetes de neve, e, com equipamento, seria bem mais divertido. Decidimos que, da próxima vez, iríamos bem preparados para o inverno de Quebec.

O pôr do sol na estrada de volta, perto de Saint-Donat. Eram 16h30 e o sol já tinha se posto.
O pôr do sol na estrada de volta, perto de Saint-Donat. Eram 16h30 e o sol já tinha se posto.

Janeiro: de volta, de raquetes de neve

Dizem que o jeito de tornar o longo inverno um pouco menos maçante é sair de casa sempre que a temperatura estiver acima de -20 °C. No último sábado de janeiro estava um pouco mais ameno, então desta vez compramos raquetes de neve para a família toda com antecedência e voltamos ao setor Pimbina. Poderíamos ter subido o Mont Royal, na cidade, mas queríamos entrar um pouco mais na natureza.

Clima em Mont-Tremblant em 31 de janeiro

  • Temperatura -16 a -13 °C: só 3 graus de diferença entre a manhã e o meio-dia
  • Sensação térmica -19 a -17 °C quando o vento aumentou
  • Luz do dia 7h22 às 17h01 (9 horas e 39 minutos)
Uma pista de esqui vista da estrada. O céu estava cinza naquele dia.
Uma pista de esqui vista da estrada. O céu estava cinza naquele dia.
O centro de recepção do Pimbina, onde se estaciona e se faz o registro
O centro de recepção do Pimbina, onde se estaciona e se faz o registro

Registro e escolha da trilha

O parque cobra entrada. Uma placa no centro de recepção diz que a autorização de acesso é obrigatória o tempo todo, e você pode pagar no posto de autorregistro (a caixa verde) ou no próprio centro. Como tínhamos o cartão anual, entramos direto.

“Autorisation d’accès obligatoire en tout temps”: autorização de acesso obrigatória o tempo todo. Acima, a placa com o risco de incêndio florestal do dia
“Autorisation d’accès obligatoire en tout temps”: autorização de acesso obrigatória o tempo todo. Acima, a placa com o risco de incêndio florestal do dia

Entrei no centro de recepção para tirar uma dúvida e puxei conversa em inglês, que me é um pouco mais familiar, porque queria perguntar e entender tudo direitinho. Um funcionário do parque me disse que ali era preciso falar francês. Caiu a ficha, mais uma vez: estávamos mesmo em Quebec.

A placa no início da trilha lista várias rotas para raquetes de neve, de pouco mais de 4 km, ida e volta, a mais de 11 km. Escolhemos a trilha L’Envol, que leva a um mirante, mas sem a intenção de ir até o fim. Afinal, da outra vez, tínhamos andado só 300 a 400 metros.

A placa no início da trilha. Há várias rotas para raquetes de neve.
A placa no início da trilha. Há várias rotas para raquetes de neve.
O painel informativo da L’Envol, uma trilha de natureza
O painel informativo da L’Envol, uma trilha de natureza

Neve profunda e fofa

A trilha das raquetes é batida bem no meio, e, se você ficar nela, até botas comuns servem. Dê um passo para fora da borda e você afunda. Na neve sem compactar, afundamos mesmo de raquete. Quando enfiei um bastão, ele entrou cerca de um metro.

Raquetes de neve na pista batida
Raquetes de neve na pista batida
Um bastão enfiado na neve: cerca de 1 m de profundidade
Um bastão enfiado na neve: cerca de 1 m de profundidade

A neve ali se acumula sem nunca ter chance de derreter, e é leve e fofa. Sobre placas, troncos caídos e uma pequena cabana, ela formava camadas altíssimas. Por mais que se apertasse nas mãos, não dava liga, então nosso filho, em vez de compactar a neve, foi esculpindo e aparando um bloco até fazer um boneco de neve.

Neve empilhada num tronco caído. Nunca tinha visto nada igual.
Neve empilhada num tronco caído. Nunca tinha visto nada igual.
Uma placa da trilha com um chapéu de neve. A própria placa era um espetáculo.
Uma placa da trilha com um chapéu de neve. A própria placa era um espetáculo.

Ouvimos dizer que ali vivem cervos, coelhos e raposas, mas não cruzamos nem com um esquilo ou um passarinho, tão comuns por aí. O que vimos foram pegadas, grandes e pequenas, por toda a neve, e ficamos tentando adivinhar de quem eram.

Nosso filho nem ligava para as mãos e os pés gelados, nem para o rosto ardendo de frio. Vê-lo assim me alegrou, mas também me preocupou: bastava tirar as luvas por um instante para fotografar e meus dedos ficavam dormentes.

Não chegamos ao fim da trilha. Demos meia-volta antes de escurecer e, já de saída do centro de recepção, ficamos um bom tempo parados no campo de neve diante de um abeto enorme.

Um abeto enorme no campo de neve perto do centro de recepção
Um abeto enorme no campo de neve perto do centro de recepção

Olhando o folheto no início da trilha, pensei que gostaríamos de voltar em outra estação, num dia claro, e percorrê-la até o fim.

Para as trilhas de inverno

Envio da China: imposto de importação e outras taxas podem ser cobrados na entrega no Brasil.

Julho: encontrando a vila das fotos

Nosso filho escreve o diário em inglês, e o daquele dia começou assim:

“If anyone asked when was my best trip to a Canadian mountain, it would be this one.”

Se alguém me perguntasse qual foi a minha melhor viagem a uma montanha do Canadá, eu diria que foi esta.

Meus pais vieram da Coreia para as férias de verão. Procurando um lugar para levá-los, percebi que a vila das fotos não era o parque nacional. Era a Vila de Pedestres de Tremblant.

Na saída de Montreal, paramos numa padaria de bagels. Cada padaria tem um sabor um pouco diferente, e esta é a nossa preferida: a casca parece um pouco mais laqueada e, ao mastigar, o bagel é adocicado. Meus pais também adoraram.

R.E.A.L Bagel, nossa parada da manhã. Os bagels são assados em forno a lenha.
R.E.A.L Bagel, nossa parada da manhã. Os bagels são assados em forno a lenha.

A mesma estrada em outra estação

Pegamos a mesma estrada de dezembro. Com neve e sem neve, ela parece dois lugares diferentes. Pouco mais de dois meses depois, no fim de setembro, aquela mesma pista de esqui estava vermelha, laranja e amarela. Naquele dia, a ideia era ver as cores do outono em Mont-Tremblant, mas saímos tarde e acabamos parando, mais perto, no lago Raymond, em Val-Morin. A estrada de Montreal para as Laurentides é bonita em todas as estações.

Dezembro: a rodovia 15 coberta de neve
Dezembro: a rodovia 15 coberta de neve
Julho: a pista de esqui verde
Julho: a pista de esqui verde
Fim de setembro: a mesma pista com as cores do outono
Fim de setembro: a mesma pista com as cores do outono

De Cabriolet até a vila

Do estacionamento de baixo até a vila subimos de Cabriolet, a gôndola aberta e gratuita. Telhados coloridos passavam sob nossos pés. Era a vila das fotos.

Hotéis, lojas e restaurantes se sucedem, bem juntinhos, encosta acima. Andar pelas vielas lembrou um pouco passear pelas ruas antigas da cidade de Quebec.

O canteiro de boas-vindas de Mont-Tremblant
O canteiro de boas-vindas de Mont-Tremblant
A vila vista da Cabriolet, com hotéis coloridos ao longo da encosta
A vila vista da Cabriolet, com hotéis coloridos ao longo da encosta

Abaixo da Cabriolet vimos vários hotéis do resort, com piscina. Dá para se hospedar bem ao lado das pistas e da vila: o Residence Inn Manoir Labelle, junto à estação da Cabriolet, o Westin Tremblant, no meio da vila, e o Fairmont Tremblant, no alto. A vila também reúne atrações para crianças, como o minigolfe sob a gôndola.

A piscina de um hotel vista da Cabriolet
A piscina de um hotel vista da Cabriolet
O prédio do Residence Inn by Marriott ao lado da Cabriolet
O prédio do Residence Inn by Marriott ao lado da Cabriolet

Na vila acontecia um festival gratuito de música country. Os shows se sucediam no palco da praça e, à tarde, havia uma sessão de line dance.

Almoçamos rápido no carro. Desde que meus pais chegaram, vínhamos parando em parques para comer o lanche que levávamos de casa, mas naquele dia fomos direto à vila e, lá, não achamos um bom lugar para fazer piquenique.

A cama elástica bungee do nosso filho

Nosso filho foi uma vez na cama elástica bungee, em que você fica preso a cordas elásticas e pula bem alto. Custa 20 CAD por quatro minutos, com royalty e impostos à parte. De início, ficou com um pouco de medo, e o diário descreve assim o enjoo:

“During the start, I felt my stomach acid dance along with the food I had swallowed.”

No começo, senti o suco gástrico dançar junto com a comida que eu tinha engolido.

A cama elástica bungee: quatro minutos pulando preso a cordas
A cama elástica bungee: quatro minutos pulando preso a cordas

Lá no alto, numa das piruetas, chegou a cair de cabeça, mas no fim conseguiu dar três piruetas completas. Uma linha do diário conta a cara que ele fez ao fim dos quatro minutos:

“After 4 minutes passed, I was grinning ear to ear.”

Depois de 4 minutos, eu estava sorrindo de orelha a orelha.

A pé, julgando só pela altura que víamos

Atrás da cama elástica dava para ver o meio da encosta. Achamos que a subida fosse só até mais ou menos aquela altura, e a família toda concordou que, assim, dava para ir a pé. Então, em vez da gôndola, começamos a subir o Mont Tremblant pela trilha ao longo da pista de esqui, sob o teleférico de cadeiras. Não éramos os únicos a pé.

Uma cascata entre as pedras no início da trilha
Uma cascata entre as pedras no início da trilha

Mas, subindo, vimos que o que se via lá de baixo não era tudo: o topo ficava bem mais alto. As placas da trilha quase nunca dizem quanto falta, então perguntamos a quem descia. Eu achava que já estávamos quase lá, mas disseram que não tínhamos feito nem metade do caminho.

Saímos por volta das 13h06, a uns 270 m de altitude, e, com muitas pausas pelo caminho, levamos mais de duas horas e meia até o topo, a pouco mais de 860 m de altitude. Foram quase 600 m de desnível.

Subindo a encosta de terra, com o lago atrás de nós
Subindo a encosta de terra, com o lago atrás de nós
Um riacho cor de laranja correndo ao longo da encosta
Um riacho cor de laranja correndo ao longo da encosta

O percurso foi mais longo do que esperávamos, e a água acabou rápido (não há loja no caminho, então leve bastante). No diário do nosso filho, ficou assim:

“Even water was sacred, so we forced ourselves to only savor a few drops.”

Até a água era sagrada, então nos obrigamos a saborear só umas gotas.

Em compensação, foi divertido. Nosso filho achou uma planta carnívora pegajosa e um sapo, e recuperamos o fôlego numa nascente de água limpa pelo caminho. No capim sob o teleférico de cadeiras havia morangos silvestres. Provei um: era docinho e muito gostoso.

Morangos silvestres no capim sob o teleférico de cadeiras
Morangos silvestres no capim sob o teleférico de cadeiras

Para subir a encosta a pé

Envio da China: imposto de importação e outras taxas podem ser cobrados na entrega no Brasil.

No topo

A vista lá de cima era deslumbrante. Talvez tenha sido ainda melhor porque suamos para chegar até ali. Uma paisagem dessas que só se veem em folhetos de viagem se estendia a perder de vista lá embaixo, e todos ficamos de queixo caído. Era natureza em estado puro.

O lago e a floresta, vistos de perto do topo
O lago e a floresta, vistos de perto do topo

No topo há um terraço escalonado com bancos e cadeiras vermelhas, e as pessoas descansavam, cada uma sentada num canto.

O terraço escalonado com bancos no topo
O terraço escalonado com bancos no topo
Cadeiras vermelhas alinhadas de frente para a vista
Cadeiras vermelhas alinhadas de frente para a vista

Descida de gôndola: voto unânime

Para a descida, todo mundo concordou na hora em pegar a Gôndola Panorâmica (Télécabine panoramique). Compramos cinco passagens só de ida no topo: 77,00 CAD para os cinco, 15,40 CAD cada, com royalty e impostos. Passagem só de ida não tem desconto infantil. O caminho que levamos mais de duas horas e meia para subir, descemos em menos de 15 minutos.

O lago visto da gôndola
O lago visto da gôndola
A gôndola descendo para a vila. O minigolfe fica lá embaixo.
A gôndola descendo para a vila. O minigolfe fica lá embaixo.

Foi confortável, mas nosso filho preferia a trilha:

“There were also no berries and no frogs. Thus, I regretted riding the capsule.”

Também não havia frutinhas nem sapos. Por isso, me arrependi de descer na cápsula.

De volta lá embaixo, todos concordamos: apesar do cansaço, a lembrança da subida a pé era muito boa. Deu para aproveitar o clima e a paisagem com calma.

O painel de preços da Gôndola Panorâmica: ida e volta a partir de 34 CAD para adultos e de 23 CAD para crianças
O painel de preços da Gôndola Panorâmica: ida e volta a partir de 34 CAD para adultos e de 23 CAD para crianças
A programação dos shows gratuitos do festival “New Country”
A programação dos shows gratuitos do festival “New Country”

Uma volta pela vila e o taffy de bordo

Depois da gôndola demos uma volta pela vila. Lojinhas e restaurantes margeiam a encosta, e havia muito para ver. Na praça, chegamos a dançar no meio do pessoal do line dance.

A rua de compras da Vila de Pedestres
A rua de compras da Vila de Pedestres

No ponto mais alto da vila, bem debaixo das pistas de esqui e da gôndola, fica o Fairmont Tremblant. Pertence à mesma rede Fairmont do Château Frontenac, na cidade de Quebec, e do Château Laurier, com jeito de castelo, em Ottawa.

O taffy de bordo na neve (tire sur la neige) é xarope de bordo quente derramado sobre a neve e enrolado num palito. Costuma ser um doce da época da colheita do xarope, na primavera, então foi bom ver a vila vendendo também no verão. A cidade de Quebec também tem lojas que vendem o ano todo.

O Fairmont Tremblant no alto da vila, com a placa do hotel ao pé da escada
O Fairmont Tremblant no alto da vila, com a placa do hotel ao pé da escada
“Tire sur la neige — Maple taffy on snow 3.00$”
“Tire sur la neige — Maple taffy on snow 3.00$”

Quem vende é a Cabane à Sucre de la Montagne, dentro da vila: 3 CAD cada. Compramos um. Mesmo no verão, o gosto era o mesmo. Nosso filho já tinha provado uma vez no inverno, antes de meus pais virem. Se quiser levar um pedaço dessa experiência para casa, o xarope de bordo é a lembrança clássica que se compra no Canadá.

A volta para casa

Saímos da vila rumo ao lago Mercier (Lac Mercier), do lado da cidade, para uma parada rápida. Do outro lado do lago, cheio de veleiros, aparecia a montanha que tínhamos acabado de descer de gôndola.

As pistas do Mont Tremblant vistas do outro lado do lago Mercier
As pistas do Mont Tremblant vistas do outro lado do lago Mercier

No caminho de volta, jantamos caranguejo no Buffet des Continents, em Saint-Jérôme.

O Buffet des Continents em Saint-Jérôme
O Buffet des Continents em Saint-Jérôme

Como o nome diz, tem pratos de vários continentes, e a comida é bem razoável, então vamos lá de vez em quando. De sexta a domingo à noite, o caranguejo-das-neves é à vontade. Crianças de até 12 anos comem de graça com um adulto (uma criança por adulto); aos sábados à noite, de 5 a 12 anos pagam cerca de metade.

O que saber antes de ir

Os parques nacionais de Quebec e o cartão anual

Em Quebec, um “parc national” é um parque provincial, criado pela província e administrado pela Sépaq, a agência de parques de Quebec. Não é um dos parques nacionais federais do Canadá, então, ao contrário do passe anual dos parques nacionais dos EUA, o cartão não vale no país inteiro: só nos cerca de 20 parques nacionais da Sépaq em Quebec. Em compensação, Quebec tem muitos parques lindos.

Quando fomos pela primeira vez ao Parque Nacional de Oka, minha esposa e eu compramos, cada um, o cartão anual de todos os parques. Eu não tinha certeza de que valeria a pena, mas depois do inverno usamos bastante na primavera e no verão em Oka, Mont-Orford, Yamaska, Miguasha, na ilha Bonaventure e em Grands-Jardins. Nosso filho entra com o cartão de um dos pais.

Nas praias com salva-vidas, como a de Mont-Orford, o estacionamento da praia é cobrado à parte na temporada, com desconto para quem tem o cartão (25%, segundo a página oficial). Aceitaram tanto o cartão físico quanto o cartão salvo no celular.

ItemDetalhes
Acesso por diaAdultos 10,30 CAD, gratuito até 17 anos (desde maio de 2026)
Cartão anual, todos os parquesAdultos 93,00 CAD, 12 meses, estacionamento incluído (com algumas exceções)
Cartão anual, um parqueAdultos 51,50 CAD
CriançasGrátis. O cartão anual de um adulto cobre a entrada das crianças que o acompanham.
Estacionamento de praiaNas praias com salva-vidas (plage surveillée) de Mont-Orford, Oka e Yamaska, cobrado à parte na temporada; quem tem o cartão ganha 25% de desconto
Parques regionaisAdministrados à parte da Sépaq; descontos só para moradores locais

Segundo o site da Sépaq, consultado em 29 de setembro de 2026. Os preços podem diferir dos que pagamos.

Preços na vila

ItemPreço (verão de 2026, CAD)
CabrioletGrátis (estacionamento de baixo ↔ vila)
TrilhasGrátis
Gôndola PanorâmicaIda e volta a partir de 33 CAD para adultos e de 22 CAD para crianças (5 a 12 anos)
Só ida a partir de 13 CAD em qualquer idade (sem desconto infantil)
Cama elástica bungee24 CAD adultos, 20 CAD crianças (3 a 12 anos), cerca de 4 minutos por vez, lista de espera on-line no mesmo dia

Segundo o site de Tremblant, consultado em 29 de setembro de 2026. Um royalty de 3% e os impostos são somados a todos os preços. O painel de preços no local mostrava ida e volta a partir de 34 CAD para adultos.

Palavras em francês que valem a pena conhecer

accueil
O centro de recepção do parque, onde você estaciona e se registra
sentier
Trilha
belvédère
Mirante
raquette
Raquete de neve. Nas placas das trilhas, as rotas para raquetes são marcadas com o pictograma de uma raquete.
télécabine
Gôndola
tire sur la neige
Taffy de bordo: xarope de bordo quente derramado sobre a neve

O que gastamos no verão

Isto foi o que quatro adultos e uma criança gastaram em 17 de julho. O almoço foi levado de casa.

OndeO quêValor (CAD)
R.E.A.L BagelBagels23,25
Vila de Pedestres de TremblantGôndola Panorâmica, cinco passagens só de descida77,00
Cama elástica bungee (uma vez, criança)23,68
Buffet des ContinentsJantar à vontade (quatro adultos, criança grátis)183,92

Segundo extratos do cartão e nosso registro da viagem. Os valores incluem impostos; transporte não incluído. A comida varia muito de uma família para outra, então use como referência aproximada. Soma: 307,85 CAD, cerca de R$ 1.130 (taxa de referência do BCE de 30 de setembro de 2026, 1 CAD = cerca de R$ 3,67, valor arredondado).

Roupas de inverno e luz do dia

Mesmo agasalhado, você vai sentir frio. O certo seria dizer “menos frio”, e não “quentinho”. Bastava um pouco de vento para a sensação térmica cair a -19 °C. Tire as luvas por um instante e os dedos ficam dormentes, então use por baixo uma luva interna fina, que funcione no touchscreen do celular. Assim você tira só a luva de fora para fotografar.

Os dias também são curtos. Em meados de dezembro o sol se pôs às 16h11 (8 horas e 38 minutos de luz do dia). Depois de duas horas de carro desde Montreal, sobra menos tempo no parque do que você imagina, então planeje dar meia-volta, em qualquer trilha, uma hora antes de escurecer.

Trilha no verão: leve bastante água

No Mont Tremblant, o que pesa é a altura, não a distância: da base ao topo são quase 600 m de desnível, e não há loja para comprar água no caminho. Se for a pé, leve bastante.

Para descer, recomendo a gôndola só de ida. Se a ideia é só apreciar a vista do topo sem esforço, a gôndola de ida e volta é, sem dúvida, a opção mais cômoda. Subir a pé foi muito gratificante, mas também muito cansativo. Se fôssemos de novo, provavelmente pegaríamos a gôndola também na subida.

Perguntas rápidas

O Parque Nacional do Mont-Tremblant e a Vila de Pedestres de Tremblant são o mesmo lugar?

Não. O parque nacional é um parque natural administrado pela Sépaq. A vila colorida com a gôndola é a Vila de Pedestres de Tremblant. No Google Maps, busque por “Tremblant”, e não por “Mont-Tremblant”.

Dá para ir no inverno sem raquetes de neve?

Dá. Nós usamos raquetes, mas muita gente caminhava de botas comuns. Só tome cuidado nas bordas da pista batida, onde você pode afundar muito. Também dá para alugar raquetes (pago) no centro de recepção Pimbina (Poste d’accueil Pimbina-Saint-Donat).

Dá para subir o Mont Tremblant a pé?

Dá. As trilhas são gratuitas. Num ritmo tranquilo, com paradas, levamos mais de duas horas e meia da base ao topo (quase 600 m de desnível), e descemos com uma passagem de gôndola só de ida (a partir de 13 CAD, com royalty e impostos à parte). A passagem de descida também pode ser comprada no topo.

Quanto tempo leva de Montreal?

Cerca de duas horas de carro. Em julho saímos de Montreal por volta das 9h e chegamos à vila um pouco antes das 11h. Se você não tem carro, dá para ir num tour de um dia saindo de Montreal.

Vale a pena?

  • O que éDuas horas ao norte de Montreal. O parque nacional (floresta e lagos), a Vila de Pedestres (gôndola, pistas de esqui, lojinhas e restaurantes) e a cidade são lugares separados.
  • Combina comO parque nacional, se você quer trilhas tranquilas, raquetes de neve ou esqui cross-country. A Vila de Pedestres, se quer clima de cidade de resort e vistas de gôndola.
  • Melhor parteA neve profunda e fofa na floresta de inverno e, no verão, os morangos silvestres e o sapo que achamos na subida pela encosta, e depois a vista do topo.
  • Ponto fracoSe tivéssemos pesquisado melhor, teríamos rodado menos à toa, e foi em parte por isso que escrevi este artigo. Na subida a pé, não sabíamos quanto faltava.
  • CustosInverno: coberto pelo nosso cartão anual (93 CAD por adulto, todos os parques). Verão: 15,40 CAD por pessoa pela gôndola só de descida, com royalty e impostos. Com comida, depende das suas escolhas.
  • Da próxima vezOutra estação, um dia claro e a trilha L’Envol até o mirante.

Um inverno caminhando de raquetes por trilhas nevadas, um verão suando encosta acima atrás de morangos silvestres. Sob o mesmo nome, Mont-Tremblant, passamos dias completamente diferentes a cada estação.

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Como chegar e mapa

LugarEndereço
Parque nacional, centro de recepção do setor Pimbina2954 Route 125 Nord, Saint-Donat, QC J0T 2C0 · site oficial · 138 km de Montreal
Vila de Pedestres de Tremblant
village piétonnier de Tremblant
1000 Chemin des Voyageurs, Mont-Tremblant, QC J8E 1T1 · site oficial
Bistro Le Loch2212 Chemin du Lac-Supérieur, Lac-Supérieur, QC · todos os dias, das 11h às 21h30 · site oficial
Buffet des Continents (Saint-Jérôme)365 rue Lamontagne, Saint-Jérôme, QC · jantar de segunda a quinta 33,99 CAD, de sexta a domingo 39,99 CAD · crianças até 12 anos grátis com um adulto (de 5 a 12 anos pagam cerca de metade aos sábados à noite) · site oficial

Os dois lugares ficam ao norte de Montreal, pela rodovia 15. A Vila de Pedestres se alcança pela Route 117, e o setor Pimbina pela Route 125, do lado de Saint-Donat. O parque tem um centro de recepção diferente para cada setor, então digite o endereço do setor para onde você vai.

O marcador embaixo, à esquerda, é a Vila de Pedestres de Tremblant; o do alto, à direita, é o setor Pimbina do parque nacional.
2954 Route 125 Nord, Saint-Donat: o centro de recepção do Pimbina

Do Brasil: voo, visto, fuso e carro

  • O voo. Segundo o FlightConnections (consultado em 1º de outubro de 2026), a Air Canada é a única companhia com voo direto de São Paulo (GRU) a Montreal (YUL), com cerca de quatro voos por semana e pouco mais de 10 horas de voo. Frequência, dias e horários variam conforme a temporada: confira as datas antes de planejar a viagem.
  • O visto. Em geral, brasileiros precisam de visto de visitante para entrar no Canadá. A autorização eletrônica de viagem (eTA, 7 CAD) só vale para quem teve um visto de visitante canadense nos últimos 10 anos ou tem um visto de não imigrante dos EUA válido no dia do pedido, e apenas para chegada de avião. Confira a sua situação no site oficial do governo canadense (em inglês e francês) antes de comprar a passagem, e use só esse site. Se precisar pedir o visto, comece com bastante antecedência.
  • O fuso horário. O horário de Brasília (o mesmo de São Paulo) fica 1 hora à frente de Montreal enquanto vale o horário de verão da América do Norte (de 8 de março a 1º de novembro de 2026) e 2 horas à frente no resto do ano, porque o Brasil não adota horário de verão desde 2019. Os dias de inverno deste artigo (14 de dezembro e 31 de janeiro) têm diferença de 2 horas; o de verão (17 de julho), de 1 hora.
  • O carro. Quem chega de avião pode alugar o carro direto no aeroporto Montréal-Trudeau (YUL). Segundo a SAAQ, órgão de Quebec responsável por habilitação e trânsito, o visitante pode dirigir por até seis meses seguidos com a habilitação estrangeira, desde que ela esteja válida e autorize o tipo de veículo usado. Se a habilitação não estiver em inglês nem em francês, a SAAQ recomenda tirar a permissão internacional para dirigir antes de viajar, qualquer que seja o tempo de estadia, e exige a permissão de quem fica mais de seis meses para continuar dirigindo, sempre com os dois documentos. Locadoras podem ter regras próprias, então confirme com a empresa. De 1º de dezembro a 15 de março, a lei de Quebec exige pneus de inverno nos veículos registrados na província, o que inclui os de locadora. Dirige-se pela direita, como no Brasil.
  • Impostos e gorjetas. Em Quebec, os preços exibidos geralmente não incluem impostos: no caixa soma-se cerca de 15% (5% de TPS e 9,975% de TVQ). Em restaurantes com serviço à mesa, a gorjeta costuma ser de 15% a 20%.

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